A máxima cartesiana que ancora o pensamento moderno dita que a consciência é a prova irrefutável da existência. Na série "Penso Logo Existo", desenvolvida desde 2012, essa filosofia é transmutada para o campo visual. A obra não nasce no papel, mas sim na percepção de quem a observa.
Utilizando a precisão do bico de pena e a fluidez do nanquim, construo um ecossistema de linhas e curvas que, à primeira vista, flertam com o caos e o abstrato. Não há uma narrativa figurativa imposta. O traço livre e sinuoso atua como um espelho psicológico, onde o emaranhado visual serve de portal para o inconsciente.
"A verdadeira obra de arte desta série não é o que está desenhado com tinta, mas a imagem que se forma na mente do observador."
O motor conceitual da série é a pareidolia (a tendência humana de encontrar significado, rostos e formas familiares em padrões aleatórios). É neste exato momento de reconhecimento que o desenho "passa a existir". Abdico da figuração fechada para entregar ao público o papel de coautor. O espectador é desafiado a projetar suas próprias vivências, memórias e emoções sobre as linhas no papel.
Se antes a arte era um monólogo visual entregue ao público, em "Penso Logo Existo", ela se torna um diálogo silencioso. Inicialmente, o desenho não carrega uma forma definitiva; ele é pura potencialidade. É a partir do olhar do outro que a imagem desperta, ganha contorno e, finalmente, existe.